Domingo, 8 de Julho de 2007

O Valor das Perólas.

All life is based on the fact that anything worth getting is hard to get. There is a price to be paid for anything.Wiliam Barclay
Durante o todo o tempo que estudei economia, houve uma questão que não parava de bater na minha mente: Como definimos o preço de algo? Como medimos o valor de qualquer coisa?
O valor e o preço de alguma coisa é algo que assume uma importância cabal na definição de qualquer economia de Mercado no sentido Ocidental. No fundo, a sua definição é quase a pedra basilar do Capitalismo e a sua principal distinção do Planeamento Central.
 
Durante bastante tempo, os economistas acreditaram que a Oferta fazia a sua própria Procura. Ou seja, qualquer coisa que consigamos produzir ou colocar no mercado irá ser consumido. As pessoas irão consumir aquilo que lhes será oferecido, e o preço é definido pela quantidade produzida e obtida. O valor é obtido através do chamado “Paradoxo de Valor”; as pérolas são caras porque são extraordinariamente difíceis de obter e raras; o ar é grátis porque existe em quantidade abundante e fácil de obter.
 
No fundo, o valor de algo seria definido pelo valor em margem da ultima unidade consumida do bem: como conseguimos satisfazer totalmente as nossas necessidades de ar, então o valor do ar é inexistente. Por contrapartida, como os habitantes da Terra não conseguem satisfazer todas as nossas necessidades de diamantes individualmente, então o recurso é escasso, e como tal o valor sobe astronomicamente.
 
Mais tarde outros economistas acreditaram que é a Oferta que cria a própria Procura, ou seja, são as necessidades das pessoas que definem aquilo que as empresas irão produzir. Faz sentido: os consumidores não são parvos e logo apenas iriam consumir aquilo que querem.
 
Por fim, outros acreditam num meio termo: num impasse entre a vontade das empresas de produzirem o que querem vender, tendo em conta as necessidades dos Consumidores.
Então, o preço de alguma coisa seria definitivamente fixado num equilíbrio entre a Oferta e Procura.
 
Porêm, todas estas ideias foram concebidas há mais de 70 anos atrás, e num mundo dinâmico e mutável, poucas coisas permanecem constantes.
 
Hoje em dia, já não se fala deste equilíbrio, mas num conceito de valor perceptível: o preço das coisas é atribuído de acordo com o valor que as pessoas lhe atribuem. Um bom exemplo é a Nike: um fato de treino da Nike é bastante mais caro do que um da Patrick, porque a Nike tem toda um valor perceptível por detrás. A construção da Imagem da Nike, a ideia de que a Nike é um sinónimo de desporto é algo que foi entranhando na mente dos consumidores. Como tal, as pessoas estão dispostas a pagar mais pela Nike porque ACREDITAM que a Nike é melhor, mesmo que o fato de treino seja de qualidade semelhante. A qualidade efectiva deixa de ter sentido no sec. XXI, para ser substituído pelo qualidade perceptível.
 
Numa civilização em que a qualidade efectiva deixa de ter importância, as emoções e as ideias compõem verdadeiramente os produtos. Parece até, que os consumidores compram ideias e conceitos nos quais se identificam e não produtos físicos.
 
Uma boa definição de Preço tendo em conta esta ideia é a de que o preço é o valor monetário que os consumidores estão dispostos a pagar no qual consideram que a utilidade ( ou o prazer) retirado desse produto, dada por atributos físicos ou psicológicos, supere o custo da Compra. Por outras palavras, o preço pago pelo consumidor, é inferior aquele que estaria disposto a pagar para obter essa utilidade.
Para ilustrar melhor esse facto, consideremos um leilão: um objecto, cinco licitadores, um preço base de 5€. Na primeira licitação, todos estão dispostos a comprar o objecto por 5 euros. No entanto, quando o preço aumenta para 10€, um dos licitadores desiste, considerando que 10€ é demasiado elevado para a utilidade que retiraria do objecto. O preço vai aumentando, e mais licitadores desistem, á medida que o preço do objecto supera o valor que estão dispostos a pagar para deter aquela utilidade. No fim, um dos licitadores leva o objecto para casa, pagando mais do que o que os outros estariam dispostos a pagar, mas ainda assim pagando menos do que aquilo que estaria disposto a pagar.
 
Em jeito de conclusão, não considero que exista uma maneira correcta de olhar para a dicotomia valor/preço, nem que a velhinha ideia de equilíbrio Procura/Oferta esteja errada. Na realidade, talvez uma mescla das ideias seja a mais adequada para representar o preço.
Mas esta é uma pergunta que andará na cabeça de muitos especialistas…

publicado por Oraculo às 23:45
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007

Que mais se irão lembrar?

Earth provides enough to satisfy every man's need, but not every man's greed. Mohandas K. Gandhi

Admito que, nas ultimas semanas tenho sofrido de preguicite aguda. Não me tem dado o bichinho de escrever no blog, ou coisa que o valha. Não é que esteja sem assunto; acontece tanta coisa durante o dia, que pelo menos, algo de estúpido posso transbordar numas linhas que depois são expressas em papel virtual, por assim dizer.
Mas hoje, mesmo sem inspiração nenhuma, (creio que seja do calor; o Verão já começa a apertar e a fazer ofegar com o seu abraço ardente), dedicar-me-ei a umas palavras. Mais logo começariam a pensar que o blog tinha falido ou lá o que é. Mas não desesperem… capital intelectual para manter o dito cujo no activo existe…. Está é… depositado! As taxas de juro aumentaram mais uma vez, e como se sabe pelas mais básicas leis da Macroeconomia, uma taxa de juro mais alta incentiva á Poupança.
 
Mas parando de divagar tanto, hoje deparei-me com um assunto realmente cretino, na minha humilde opinião. Não é a nova contratação do Benfica, nem a mais nova declaração do Ministro da Economia; é a tentativa de imposição do Ministério do Ambiente ( ou qualquer coisa assim parecida), de forçar os consumidores a comprar os sacos de plástico com que trazem as compras do super-mercado. Hein?? Então, um tipo vai comprar as compras do mês e nem a porcaria de um saco lhe dão? Quer dizer… que mais precisamos de pagar?
 
A desculpa dada é a de que os sacos de plástico fazem mal ao ambiente, e de que, ao pagarem os sacos, os Portugueses estão a melhorar o ambiente. Ao ser atribuído um preço a um saco, aparentemente daríamos mais atenção ao saco, e o iríamos reutilizar. Estou mesmo a ver, as pessoas que fazem as compras para o mês, irem para o Modelo, com um saco de sacos! Desculpem-me lá, mas mesmo que haja esse custo, para alguma coisa existem as recicladoras. E para aqueles, que dizem os portugueses reciclam pouco, é claro que reciclam pouco! Há pelo menos 10 vezes menos de sítios de reciclagem, quando comparamos com os contentores de lixo normais! Se impõem ás pessoas, um custo adicional para irem aos pontos verdes, que incentivo tem? Se separar o lixo já é uma chatice, quanto mais não é quando os pontos verdes estão sempre cheios, ou se para metermos o nosso lixo criteriosamente separado, temos de ir até ao outro lado da cidade? Eh pá, na minha casa, separamos e reciclamos, mas mais do que uma vez, tive de voltar para casa com o lixo todo, porque os pontos verdes estavam cheios.
 
Mas voltando aos sacos; já não basta um tipo ver o seu poder de compra real baixar, quando agora vai ter de pagar os sacos. Na reportagem que vi, um representante da Quercus, disse que os portugueses quando compram alguma coisa, jogam logo os sacos para o lixo. Sinceramente não conheço ninguém que faça isso. A maior parte das pessoas pega nos sacos e guarda-os. Aliás, sacos é coisa que nunca falta numa casa Portuguesa. E ainda foi mais longe… uma parte desse montante, deveria ser enviado a uma organização de protecção do Ambiente. Estou mesmo a ver… deveria era ser descontado nos impostos!
 
Já que estão tão preocupados com o ambiente, substituam os sacos de plástico por sacos de papel! São mais amigos do ambiente, e não nos chateariam tanto com essas coisas. Ah pois, esqueci-me, não vos daríamos dinheiro.

publicado por Oraculo às 23:18
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