Terça-feira, 14 de Novembro de 2006

Requiem por Perdão... e Perdão por Amor

Todos cometemos erros. Alguns maiores, outros menores, mas sempre cometemos erros. Alguns erros , resignam-nos com o facto de ter feito os erros e enterramos o acontecimento com facilidade e procuram aprender. Outros erros porem, são mais profundos. Enraizam na nossa alma e ai ficam, prosperando com a nossa dor e com o nosso arrependimento. E não há erros como os do amor. Esses simplesmente…retiram-nos a vontade de viver. E embora digam-nos que iremos continuar a estrada da vida… esses ficam como cicatrizes numa alma, uma ferida que continua a jorrar um sangue invisivel, etereo, doloroso para aqueles cuja hemorragia não pode ser estancada. 
O Amor, força motriz da interacção humana, é realmente cego, surdo e mudo… é um veneno doce, cujo sabor apelativo nos propicia com o Paraiso que sempre sonhamos, mas que secretamente coloca a semente da destruição do espirito. E quando nasce… essa semente torna-se num parasita, numa arvore negra que cresce para privar o Jardim da Paixão que é o Amor, da luz de uma estrela. Essa semente… chamo-lhe Razão. É a Razão que muitas vezes nos tolda o espirito, priva-nos de realmente apreciarmos esse sentimento, esse dom de um Deus que ama a Humanidade, esse Amor….
E essa Razão, ao colocar um vêu sobre o sentimento, tolda de tal maneira os nossos sentimentos, que já não distinguimos o certo do errado, a esquerda da direita, a verdade da mentira. E quando deixamos de sentir para apenas raciocinar… caimos no erro.
Pois, de que vale o raciocinio, quando o proprio Amor desafia a Logica, desafia o Genio Humano, desafia até mesmo os sonhos mais loucos que qualquer um de nós , que caminha nesta terra pode conceber? Mas que mal pode haver em apenas sentir, deixarmos correr a emoção, como que um rio sem barragens, sem obstaculos, para desaguar num Mar de Prazer? Toldemos a nossa Razão com o Amor… pois é melhor que assim seja.
O que nos leva de novo aos erros; e á pergunta que deveria passar na mente de todos quando cometem um… Será possivel redimir esse erro? Será possivel tornar um errado num correcto, mostrar que afinal… o Amor existe? Nos dias que correm, sei que o amor é raro e longinquo… e sei que sofremos demais por amor… muito mais do que iriamos admitir…
Mas peço-o do fundo da minha alma, não deixem que um coração partido vos retire o vosso amor. Deem uma segunda oportunidade a quem acham que merece, deem uma oportunidade de redimir um erro que por ventura tenha sido cometido. Há erros que precisam de ser cometidos… porque alguns de nós precisamos de os aprender por nós proprios. Pois há Amores a que se dizem adeus… outros que são desperdiçados… e são esses que magoam mais quando nos apercebemos.
Enquanto existir uma restea de amor em vós… lutem… lutem pelo amor que um dia foi vosso, e talvez… redimam-se… Para os que é tarde demais… arrependam-se… aprendam… e deixem lagrimas de dor. Essa cicatriz pode nunca sarar completamente… mas se não estancarem o que cai… secam a fonte de um amor.
Recordo-me de um tempo em que era mais feliz… de uma altura em que os sorrisos vinham espontaneos e faceis… e por um erro, e como um beijo ao vento, o Inverno começou. Lamento por tudo e nunca vou-me conseguir perdoar por tudo o que aconteceu… A dor de um amor perdido, de uma paixão descurada é tudo o que pode levar um homem á loucura. E agora anseio por nada, e por tudo…
E depois de um amor perdido… tudo o que fica é a Saudade, essa dor que faz uma ferida constante, que aumenta de dia para dia, esse sentimento tão único da alma lusitana, de uma perda irrevogavel, de uma causa perdida á partida. É um Fado que nos condena a penar por um momento de fraqueza, um minuto de estupidez, uma eternidade de Razão. Porque diabos cometemos erros de magnitude tão grande?
Dizem que o tempo tudo apaga… eu sei que tal não é assim: apenas coloca uma camada de areia sobre as memorias. E á medida que a Ampulheta corre, mais areia cai… mas só porque está escondido não significa que não esteja lá.
Esta Humanidade… tão miope… tão inconsequente… porque é que devo carregar esse legado, só porque sou um Filho de Adão? Esta prepotencia clara ao erro, somente me leva á Dor.
Uma palavra de apreço a quem tão carinhosamente e atentamente leu este testamento… um testamento de dor, perdão de alguem que procura redenção. Obrigado por partilharem o que sinto na minha alma. Obrigado por fazerem parte de um perdão, que tem tanto de universal como de individual. Mas… não tomem de animo leve estas palavras… já não existem poetas neste mundo, somente cientistas… é por isso que perco tempo a clamar por perdão… quando deveria cantar por amor…
E por fim… se tu leres este desabafo, sei que não sabes que é para ti. Mas folgo em saber que as palavras de um enamorado teu te tenha tocado…  

publicado por Oraculo às 23:29
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2 comentários:
De Shmootsy_Pooh a 17 de Janeiro de 2007 às 14:45
Afasta-te do lado negro da força rapaz...


De Oraculo a 24 de Janeiro de 2007 às 16:37
Eu disse que a pessoa não saberia que era para ela. Está descansada, não é para ti.


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