Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Responsabilidade Social e Empresas: Uma Reflexão

There is only one basic human right, the right to do as you damn well please. And with it comes the only basic human duty, the duty to take the consequences. PJ Rourke.
À medida que as sociedades evoluem, também os valores dessas mesmas sociedades vão sofrendo alterações. No século XXI, no mundo Ocidental, já não se exige somente que se satisfaçam as necessidades básicas, necessárias para a sobrevivência do género humano. Satisfeitas essas necessidades, o género humano, consubstanciado na sociedade, vai lentamente exigindo que certos valores, sejam respeitados. Noções como compromisso, honra, solidariedade, justiça, integridade, responsabilidade são cada vez mais requisitadas pelas pessoas como um código de conduta para o individuo humano.
As empresas, enquanto aglomerados de ideias e indivíduos deverão reflectir estes valores na sua própria actividade, da mesma maneira que esses valores são exigidos ao cidadão comum.
Neste contexto, espera-se mais das empresas e sociedades do que a geração de lucro para o accionista, como muitos “capitalistas” puros do século XX defenderiam. Embora os gestores devam prestar contas aos accionistas das empresas, tal visão é apenas limitadora do verdadeiro papel de uma empresa. È impensável observar as empresas apenas como entidades que apenas se preocupam com o bem estar dos intervenientes directos no financiamento das suas actividades. Dotadas de uma capacidade de intervenção superior ao cidadão comum, as empresas deverão ser vistas como uma parte integrante e interventiva da sociedade onde se insere, e não como um organismo fechado e estanque, sob o jugo dos accionistas. Embora sejam os accionistas que tenham arriscado o seu dinheiro, tal facto não retira a responsabilidade colectiva que uma empresa detêm perante a sociedade..
Uma empresa deverá ser entendida com um membro integrante e único da sociedade humana, na medida em que nela convergem esforços e ideias de dezenas, ou milhares de seres humanos que trabalham de forma conjunta para atingir os objectivos definidos. Neste contexto, o grau de acção e influência que uma empresa detém é vastamente superior ao de um cidadão comum, e como tal, detém um maior grau de responsabilidade, devendo não só defender os seus accionistas, mas defender o bem estar da restante sociedade.
Todo o cidadão deverá deter a consciência de que detém uma quota parte de responsabilidade perante este mundo e isto é especialmente verdade para as empresas. Como diria um tio de uma conhecida personagem de banda desenhada aracnídeo, “com grande poder, vêem as grandes responsabilidades”. 
È com estes valores em mente que as empresas deverão rever o seu papel na sociedade, e reconhecer o papel das suas acções na sua própria actividade, no que diz respeito à crescente importância da imagem que uma empresa detém perante os seus clientes. Como já tem sido demonstrado várias vezes, uma empresa que se comporte de uma maneira que viola certos conceitos e valores que os seus clientes observam como parte integral da sua vida (violação de direitos humanos, por exemplo) verá a sua actividade contestada e as suas próprias receitas diminuídas pela escolha dos seus clientes em não comprar os seus produtos. Num mundo em que a informação é fluida a nível global, uma insatisfação com um comportamento desviante de uma empresa poderá chegar aos ouvidos de outros clientes em segundos. Neste contexto de informação quase perfeita, as actividades de uma empresa deverão ser cristalinas e impecáveis, e a empresa deverá reconhecer o seu papel como o centro de uma constelação de interesses de indivíduos e grupos que afectam os processos de decisão, de modo a conseguirem benefícios para os interesses que defendem. Assim, a gestão de uma empresa deverá ser responsável perante a comunidade em geral e perante aqueles que reclamam ser legitimamente parte interessada na actividade da empresa. É o reconhecimento da importância da responsabilidade social. 
Caso uma empresa decida seguir a via da responsabilidade social, então procederá não só para fazer a sua parte no que toca à melhoria da sociedade humana, como colherá os seus frutos, materializados no recrutamento de colaboradores mais talentosos e no aumento das suas próprias receitas, pelo reforço dos laços de confiança com os clientes, contribuindo para a sua retenção. A chamada “Boa Gestão” contribui assim para o aumento dos lucros e para o bem-estar da sociedade.
No entanto, a Responsabilidade Social coloca uma série de desafios às empresas que não podem ser negligenciados. A escolha de fornecedores éticos sobre não-éticos poderá deter um papel importante na definição do preço final do produto. Um fornecedor não-ético, que use trabalho escravo e trabalho infantil detêm uma vantagem de custo no que toca ao fabrico do produto. A escolha da empresa em não contratar este fornecedor levará a que detenha um preço mais elevado do que a sua concorrente que contrata o fornecedor não-ético, perdendo quota de mercado. Nestes casos, a empresa deverá procurar comunicar e asseverar a sua escolha e explicar aos seus clientes a razão de terem preços mais altos. A entrega de uma empresa a uma causa de solidariedade, na qual não obtêm qualquer beneficio directo, como o Marketing Social, poderá ser visto com um custo imediato.
 Em alguns aspectos, a prossecução da Responsabilidade Social incorre em custos de curto prazo, mas que no longo prazo, serão transformados em proveitos, à medida que a comunidade vai integrando e processando a informação sobre a empresa ética.
Esta crescente consciência da comunidade sobre ética e a consequente integração desse conhecimento no processo decisório no consumo levará a que, no futuro, o mercado comece a adaptar-se de maneira a que as empresas éticas prosperem, e as empresas não-éticas sejam colocadas fora do mercado. Deste modo, a Responsabilidade Social será considerada um factor critico de sucesso no Século XXI.
Ensaio entregue no contexto de curso de  Avaliação Imobiliaria 

publicado por Oraculo às 17:07
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